Comunhão entre Indivíduo e Espaço

Artigo de Luiz Eduardo Bini Gomes da Silva

acasa

A CASA vai além do lugar que se escolhe ou constrói para morar, ou para esconder-se, proteger-se, abrigar-se, dormir ou relaxar. Uma boa CASA é o lugar onde vivem as necessidades humanas mais subjetivas como a paz, amor, saúde, alegria. É o lugar onde devem se desenvolver à vontade e a todo vapor as necessidades mais profundas e peculiares de cada indivíduo ou grupo deles.

Este “lugar”, pelo sentido da palavra acima descrito, torna-se mais um ato, uma ação, que sua representação física propriamente dita. A real intimidade entre o indivíduo e o espaço vai além da relação piso/teto/parede. Com a aplicação de Arquitetura estes espaços devem ser mensurados pela luz, pela vida e pelo ar, pela temperatura e não mais por aquele padrão 3,00 m x 4,00 m, portas com 2,10 m de altura e uma fachada “bonitinha”.

Um telhado ou uma porta, um piso e uma parede são também partes integrantes de uma CASA sim, mas o importante é o vazio que se delimita entre esses componentes. É neste vazio onde as coisas acontecem, a ação de CASAR torna-se presente e se proporciona o ato de viver num espaço físico edificado, além do permanecer inerte, é ali que se promove a ação, a vida. A CASA deve ser o lugar para se abrir e não para se fechar. Abre-se uma casa, abre-se uma mente, abre-se uma vida e os desejos nesse espaço, e é assim que ele deve ser utilizado, pensado e construído.

Não deve haver censura em casa, sentir-se seguro é sentir-se bem e este é o lugar, é esta a missão. Então, independente da cor do mármore travertino de um hall de entrada, a CASA é também um convite. Se for possível que DELA você possa observar as ondas do mar deitado na cama, ou um lago, ou uma piscina; tenha a vista de um jardim, de uma árvore ou da grama; ou ao menos da luz do poste que está na rua, o importante é isto, é algo além das quatro paredes, do teto e do piso, é a ligação e a dinâmica do espaço que lhe trará a qualidade adequada. São estas apropriações e estes usos que devem ser estudados e exaltados, criando uma verdadeira RELAÇÃO entre indivíduo e espaço.

Não se trata de uma questão de recursos ou de ostentação, a realidade é que em uma CASA devem-se cortar as frustrações. Apenas uma janela pode fazer toda a diferença entra uma “sala” e uma “cela”. Quando entramos nesse mundo não falamos apenas de conforto e bem-estar, mas da questão da saúde que os espaços podem oferecer, desde que se experimente, observe e aproveite cada condicionante físico ou psicológico que podem ser infinitamente dispostos em sua diagramação. A CASA é também um fator que ditará a identidade do indivíduo, dizendo muito sobre cada um. Os espaços criam sua vida no dia a dia, estando atrelados aos muitos usos e experiências, tornando-se algo pessoal, individual e praticamente intransferível. Muitas vezes estes espaços não são “lembrados”, “pensados”, ou PROJETADOS adequadamente no CASAMENTO, que digo ser o ato de uma casa em movimento, onde tudo nasce, se cria e realmente vive.

Devemos experimentar e considerar estas subjeções dentro desses espaços. Todos devem ter acesso a isto por DIREITO, para viver em um lugar onde seja possível CASAR com sua CASA e ser “Feliz Para Sempre”. Afinal, a melhor forma de mudar o mundo é começando em CASA.

Luiz Eduardo Bini Gomes da Silva é arquiteto e urbanista e conselheiro do CAU/PR.

Fonte:CAU/BR

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