Cooperativismo e empreendedorismo: novas oportunidades para os arquitetos

Cooperativismo e empreendedorismo: novas oportunidades para os arquitetos

Novos avanços possibilitarão, em breve, a assinatura da parceria estratégica entre o CAU/BR e o Sistema Unicred, para que os arquitetos e urbanistas possam ter uma cooperativa de crédito própria.

Após aprovação pela plenária do CAU/BR e pelo Conselho de Administração da Unicred, está em elaboração um Plano Nacional que possibilitará a filiação dos arquitetos e urbanistas ao Sistema Unicred, segundo informa Euclides Reis Quaresma, presidente da Unicred.

“Dotada de personalidade jurídica própria e independente das demais organizações profissionais, os estatutos e regimentos da Unicred são baseados na legislação específica sobre cooperativas de crédito do Ministério do Trabalho, Ministério da Fazenda, assim como nas normativas de caráter técnico e financeiras do Banco Central do Brasil”. É o que explica o conselheiro federal Roberto Simon (SC), coordenador da Comissão de Planejamento e Finanças do CAU/BR, responsável pelas negociações sobre a parceria, no artigo transcrito abaixo, onde ele fala sobre a evolução do cooperativismo de crédito no Brasil e os benefícios para a categoria.

Dentre as inúmeras alternativas de crédito a disposição, o arquiteto recém-formado poderá financiar, a baixo custo, a instalação de seu escritório e o profissional estruturado e que ganhou espaço no mercado, poderá ampliar seu negócio oferecendo aos clientes a possibilidade de financiar seu trabalho via cooperativa.

Roberto Simon

O cooperativismo não é novo. Esta aí há pelo menos 150 anos. Antes já funcionavam, na Alemanha, as Caixas Rurais “Raiffeisen” (1818/1888) e os Bancos Populares “Schulze-Delitzch” (1808/1883). A Inglaterra tornou-se o berço do cooperativismo de consumo, a França o do cooperativismo de produção, mas foi na Alemanha que o cooperativismo de crédito ganhou dimensão, uma em cada quatro pessoas é cooperada.

O objetivo do crédito cooperativo é prover capital para fazer frente às necessidades de desenvolvimento da atividade laboral durante todo o período de seu ciclo produtivo com recursos mais ágeis e menores taxas disponíveis, livrando o associado da usura financeira. O ideal cooperativista é encontrado em todos os continentes e por todos os setores da economia. Além de ser reconhecido e aceito em todos os países do mundo como a fórmula mais adequada para atender às necessidades e interesses específicos das pessoas.

0 Sistema Cooperativo de Crédito no Brasil, ainda é muito pequeno, especialmente se comparado ao setor bancário, que conta com 168 instituições financeiras no país. Entretanto, vem crescendo e ocupando espaço a exemplo de paises da comunidade européia tradicionalmente cooperativistas, em 2013 as Cooperativas de Crédito cresceram 21%, enquanto o SFN cresceu em média 10%. Com mais de 1100 cooperativas de crédito, 32 centrais, 4.9 milhões de cooperados, patrimônio de 3.3 bilhões de reais e 8 bilhões em operações de crédito e mais de 550 milhões de lucro, além de legislação e controle próprios, o sistema agora, maduro e estruturado, amplia suas operações em todo o território nacional deixando de ser predominantemente sulista (50% do volume total).

Uma das cooperativas de profissionais liberais mais bem sucedida no Brasil é o sistema Unicred com predominância na área da saúde abre suas portas para os arquitetos e magistrados, aprovado pela plenária do Conselho de Arquitetos e Urbanistas e por unanimidade das centrais na Confederação das Unicred’s, parte agora para a estruturação no país de forma a melhor atender nosso segmento profissional.

Dentre as inúmeras alternativas de crédito a disposição o arquiteto recém formado poderá financiar, a baixo custo, a instalação de seu escritório, a compra de mobiliário, computadores, impressoras, plotters e softwares de desenho. Por outro lado, o arquiteto que possui escritório instalado há mais tempo e ganhou espaço no mercado, poderá ampliar seu negócio oferecendo aos clientes a possibilidade de financiar seu trabalho via cooperativa, apenas para exemplificar rapidamente duas das muitas possibilidades que estarão a disposição da profissão.

Para melhor exemplificar o cooperativismo para os arquitetos, o melhor exemplo vem da Espanha. Distribuída por boa parte do território espanhol, a Arquia, com desenho cooperativista similar ao nosso, constituída em março de 1983, portanto há 31 anos atrás, por iniciativa dos Colégios de Arquitetos e da “Hermandad y del Consejo Superior”. A cooperativa tornou-se um dos principais mecanismos de impulso da atividade profissional do arquiteto daquele país. Sem perder o foco nas necessidades financeiras das cooperativas associadas e em seus sócios, vem financiando operações com espantoso incremento nas condições econômicas e sociais de seus componentes. Especializada na problemática financeira dos arquitetos, a “Caja”, como a chamam, lhes oferece as melhores condições econômicas de aplicação bem como nos empréstimos, tomando a dianteira das instituições financeiras privadas e bancos de fomento.

Com base nesses cenários, o Conselho de Arquitetos e Urbanistas do Brasil – CAU/BR fomentou o surgimento de uma parceria estratégica com uma entidade financeira de crédito para os arquitetos brasileiros, com o objetivo de atender as necessidades específicas de economia e de crédito desse segmento. A Unicred surgiu como a alternativa mais completa, após as tramitações legais, deverá entrar em operação a partir do mês de Junho e gradativamente ocupar todo o território até o final de 2014. E, a exemplo de suas inspiradoras, desde o primeiro momento irá fomentar e realizar o crédito cooperativo, servindo não só às necessidades financeiras de seus cooperados e das cooperativas singulares através de suas centrais, mas, principalmente, ao financiamento de operações destinadas à melhoria da condição social dos arquitetos cooperados.

A equipe envolvida em sua montagem e a Presidência do CAU/BR vem apostando que, especializada na problemática financeira dos arquitetos e em suas demandas, a Unicred poderá oferecer as melhores condições econômicas de retorno para quem aplica, bem como no custo mais baixo do dinheiro para quem toma. Vale lembrar que, o cooperado ainda fica livre das taxas que as instituições financeiras privadas embutem em seus serviços e dos inúmeros compromissos que aplicam buscando ter como resultado um lucro aviltante.

Administrando com os sócios

Dotada de personalidade jurídica própria e independente das demais organizações profissionais, seus estatutos e regimentos são baseados na legislação própria sobre cooperativas de crédito do Ministério do Trabalho, Ministério da Fazenda, assim como, nas normativas de caráter técnico e financeiras do Banco Central do Brasil.

O principal órgão diretor de uma cooperativa é a Assembléia Geral de Acionistas, que se reúne uma vez por ano ordinariamente na qual cada cooperado tem direito a um voto, independente do volume de cotas capital que possua. Esta Assembléia elege o conselho de administração de onde é escolhido o presidente e demais diretores executivos. Da mesma forma é eleito o conselho fiscal.

Portanto, para um bom funcionamento da cooperativa, do ponto de vista do controle, ela deverá ser regulada por diversos meios: O primeiro deles é a normativa bancária específica das cooperativas de crédito e a supervisão de seu cumprimento pelo Banco Central do Brasil, através de auditorias sistemáticas. Além dessas, a realização de uma auditoria anual através de empresa externa contratadas com esse propósito específico. Por fim, o controle e gestão por parte dos próprios sócios através de seu conselho de administração e fiscal.

Distribuindo os Lucros

A distribuição dos saldos apurados ao final de cada exercício, tem seu destino decidido pela Assembléia Geral. Normalmente o valor é integralizado em cotas capital dirigido a cada cooperado e na proporção de sua participação. É importante ressaltar que a distribuição deste saldo aos cooperados é uma decisão financeira importante, já que as evidências empíricas, no Brasil e no mundo, mostram que esta distribuição pode ser uma fonte de criação de valor.

Na Arquia, cooperativa dos arquitetos da Espanha, a partir destas “sobras” foram criadas soluções para outras demandas de seus cooperados. A transferência autorizada em assembléia de parciais dos valores apurados do lucro do exercício acabou por constituir e consolidar outras organizações formadas pelos cooperados optantes, como os casos da Arquigest (gestão de patrimônio e matérias financeiras), da Arquipensiones (gestão de fundos de pensão), Fundación Caja de Arquitetos (entidade cultural) e a Arquiseguros (promoção, mediação e assessoramento em operações de seguros).

Parceria & Cultura

A Cooperativa deve participar no desenvolvimento de atividades culturais em colaboração com outras entidades, em especial aquelas entidades vinculadas ao mundo da arquitetura. A sociedade não entende, e muitas vezes não aceita mais entidades corporativas que se esquecem da responsabilidade e conseqüente ação social.

Ao aprofundar as reflexões sobre a matéria, dispensando momentaneamente os números e a terminologia própria, somente voltando nossos olhos para a Espanha, o que se verifica é a extraordinária contribuição à atividade profissional dos arquitetos daquele país. O desafio, então, será, com a brevidade que o caso requer, estruturarmos a Unicred para nosso nos próximos meses.

* Roberto Simon é Coordenador da Comissão de Planejamento e Finanças do CAU/BR

Fonte: AsBEA

Entre em contato

Não estamos disponíveis no momento. Mas você pode nos enviar um e-mail e nós reponderemos, o mais cedo possível.

Enviando
ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?