Documentário sobre Sérgio Bernardes estreia nos cinemas dia 19

Capa documentario Sergio BernardesFilme foi um dos selecionados na primeira edição do Programa de Patrocínio Cultural do CAU/RJ

“Eu invento meu mundo… e cada um de vocês deve inventar o seu mundo”. Dita por Sergio Bernardes aos seus alunos em uma das cenas do documentário Bernardes, a frase é uma das inúmeras provocações levadas às telas pela vida e obra do carioca, que faleceu em 2002, aos 82 anos.

O documentário foi um dos selecionados na primeira edição do Programa de Patrocínio Cultural do CAU/RJ, na categoria de projetos com abrangência nacional. O edital ofereceu R$ 90 mil para projetos de eventos, publicações e produções culturais diversas que promovam a Arquitetura e o Urbanismo, ajudem a disseminar informações relevantes para o segmento ou contribuam para o desenvolvimento institucional do Conselho. Em sua segunda edição, o programa oferece este ano R$ 180 mil em patrocínio para projetos diversos.

O longa, um dos selecionados para Mostra Competitiva do 19º Festival É Tudo Verdade, realizado em maio, chega em 19 de junho aos cinemas de seis capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador -, revela a polêmica e arrebatadora vida profissional e familiar do arquiteto, urbanista, designer, escritor, poeta, inventor e, sobretudo, humanista incompreendido pelo seu tempo. Um homem singular, de personalidade afiada, apaixonante e tão inventiva e questionadora quanto bem humorada.

O projeto nasceu da busca pessoal pela história avô do neto Thiago Bernardes, que acaba de ganhar o A+Awards do Archtizer, uma das importantes premiações mundiais da profissão, com o projeto do Museu de Arte do Rio – MAR. É ele quem assina o argumento do filme, que tem direção de Gustavo Gama Rodrigues e Paulo de Barros, e vai à frente das câmeras entrevistar pessoas que conviveram com Sergio e visitar suas obras.

Grande nome da segunda geração da arquitetura moderna brasileira, desde seus primeiros trabalhos Sergio já prenunciava um talento incomum, consolidado por uma estética própria e inovadora, o que incluía criar elementos construtivos até então inexistentes para atender à sua criatividade, que depois seriam utilizados em larga escala no mercado.

Assinou inúmeros projetos no Brasil e no exterior pelos quais recebeu: com a Residência Lota Macedo Soares, em Samambaia, Petrópolis, no Rio de Janeiro, o prêmio destinado a jovens arquitetos na 2a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Com a Residência Jadir de Sousa, Rio de Janeiro, o prêmio na Bienal de Veneza, e com o Pavilhão do Brasil na EXPO- Bruxelas, Bélgica, o 1o Prêmio Internacional dos Pavilhões. Desde então seus projetos foram premiados em diversas categorias: arquitetura residencial, industrial, religiosa, esportiva, institucional e urbanismo. Alguns de seus projetos mais conhecidos são o Pavilhão de São Cristóvão e os Postos de Salvamento da Orla das praias, no Rio de Janeiro, o Palácio do Governo do Ceará, e o Hotel Tambaú, na Paraíba.

Mais requisitado arquiteto residencial no Rio de Janeiro dos anos 50 e 60, tinha soluções construtivas e espaciais inovadoras como sua marca registrada.Como na casa em que Lota Macedo viveu com Elizabeth Bishop, incensada por marcar o uso, até então inédito, de estruturas metálicas. Na impossibilidade de adquirir o material, fabricou-o ele mesmo com sua equipe, dobrando vergalhões de aço para conseguir o efeito desejado.

A viagem no tempo realizada por Thiago vai muito além da importância da obra arquitetônica do avô, revelando que o talento original de Sérgio Bernardes só é comparável à sua dimensão humana. O talento como arquiteto esteve a serviço de algo maior, suas propostas humanísticas. Guilherme Wisnik, professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, escritor, crítico de arte e arquitetura e curador da última edição da Bienal de Arquitetura de São Paulo, deixa claro – “..a obra de Sergio Bernardes é de fundamental importância pra qualquer estudo sobre a arquitetura e a cultura no País”. Entre os entrevistados estão também os netos Pedro Bernardes, músico, e Mana Bernardes, designer, entre outros.

Através de visitas aos principais projetos, da descoberta do vasto material iconográfico e de arquivo documental e audiovisual, com suporte do Projeto Memória, e encontros com pessoas que conviveram com o arquiteto ou que por ele foram influenciadas, Thiago monta as peças de um instigante quebra-cabeça, onde são levantadas questões que passam pelo desaparecimento de seu nome dos currículos das faculdades de arquitetura e do rompimento com os status quo ao deixar o casamento de 25 anos, com uma contundente carta à família, e mudar-se para os EUA para encontrar Buckminster Fuller, visionário da arquitetura mundial, em busca de novas possibilidades tecnológicas.

Na volta, dedicou-se às suas propostas de mudanças na sociedade a partir de soluções arquitetônicas e urbanísticas para as cidades, seja no LIC -Laboratório de Investigações Conceituais – instituto criado por ele em, 1979 , ou em cargos públicos. Aos 82 anos, quando faleceu, ainda se mantinha produtivo e fiel às ideias que hoje, em pleno caos urbano e social do século XXl, mostram-se cada vez mais relevantes.

O filme conta ainda com algo raro no País: a possibilidade de exploração de um vasto e rico material documental e iconográfico que o acervo do arquitetoreúne em 22.500 plantas, inúmeros croquis, textos, teses e poesias e mais de 8.000 fotografias. Mantido intacto desde sua morte, estão registrados ali os mais de 65 anos de produção intelectual que evidenciam o espírito inovador de um homem que veio ao mundo para propor-lhe novas possibilidades.

Sinopse

A partir da busca pessoal do arquiteto Thiago Bernardes pela história do avô, o longa traça um retrato emocional da vida de Sergio Bernardes. Um dos mais importantes nomes da história da arquitetura no País, Sergio foi também urbanista, designer, escritor, poeta, inventor e, sobretudo, humanista incompreendido pelo seu tempo. Um homem singular, de personalidade afiada, apaixonante e tão inventiva e questionadora quanto bem humorada”

Ficha técnica

Direção: Paulo de Barros e Gustavo Gama Rodrigues

Argumento: Thiago Bernardes

Fotografia: Stefan Hess

Edição: Yan Motta

Produção: 6D e Rinoceronte Produções

Duração: 91 minutos

Estreia nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador em 19 de junho, sexta (cinemas a confirmar)

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