“Quase ninguém produz restinga”, diz Eduardo Barra

eduardo barraO projeto do Parque da Restinga de Mambucaba, em Paraty (RJ) foi apresentado no dia 13/09

O arquiteto e paisagista Eduardo Barra apresentou, no dia 13 de agosto, o projeto do Parque da Restinga de Mambucaba, em Paraty (RJ), nas Sessões Técnicas do Núcleo Rio de Janeiro da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP), realizadas no auditório da sede do IAB-RJ. O trabalho foi um dos seis selecionados para a apresentação oral no 51º Congresso da International Federation af Landscape Architects (IFLA), que aconteceu em junho de 2014. Para entender melhor o processo de implementação do parque, o IAB entrevistou Eduardo Barra para a seção 5 Perguntas. Confira a seguir.

IAB: Qual foi o maior desafio do projeto do Parque de Restinga de Mambucaba?

Eduardo Barra: O maior desafio foi conseguir as mudas para o plantio. A vegetação de restinga é um tipo pelo qual poucos fornecedores se interessam e, por isso, quase ninguém a produz. Como não há um grande interesse comercial por essas espécies, cria-se um círculo vicioso: o público não conhece essa vegetação, portanto não compra, e o fornecedor não produz porque a demanda é baixa ou praticamente nula. É muito difícil romper essa barreira. No dia que esse mercado estiver mais organizado, o público vai perceber a qualidade e a beleza dessa vegetação, e nós, paisagistas, teremos menos dor de cabeça para adquirir essas espécies.

IAB: O local onde foi implantado o parque não era, originalmente, uma área de restinga. É difícil criar esse tipo de ambiente numa região anteriormente ocupada por construções?

EB: É difícil sim, mas a situação geográfica daquela área permitiria o surgimento de uma restinga. O parque ocupa um espaço próximo ao mar, com vento e sol abundantes, e o solo tem toda uma dosagem de salinidade adequada para uma restinga. As condições ali não eram assim inóspitas para esse tipo de trabalho. Se tentássemos criar um parque de restinga em Petrópolis, por exemplo, seria impossível. Ali não. As condições climáticas e geográficas facilitaram a implantação do parque. Essa é a razão da rápida adaptação da vegetação ali plantada.

IAB: Quais são as peculiaridades desse ambiente de restinga?

EB: Uma das grandes peculiaridades é a presença de espinhos. Há várias espécies espinhentas, desde as cactáceas, que são reconhecidas como plantas espinhentas, até as bromeliárias e as arbustivas. Essa vegetação não é espinhenta à toa. Os espinhos, no caso dos cactos, por exemplo, são folhas que se reduziram ao mínimo para evitar a transpiração. Por outro lado, ele é um ótimo elemento de defensa. Ainda falando sobre o cacto, ele é formado, basicamente, por um tronco aquoso repleto de água. Se não existissem os espinhos, ele seria devorado pelos animais em busca de água. Assim, podemos dizer que os espinhos são uma das principais características da vegetação de restinga.

IAB: No ambiente, como se dá o surgimento da restinga?

EB: A restinga é formada por depósitos de areia ocasionados pela movimentação marinha e pelo material carreado das encostas pelas enxurradas e pelos rios. O processo se inicia com o adensamento de gramíneas, sucedidas por grupamentos de bromeliáceas, que, por sua vez, acumulam água e descartam folhas, formando um tapete de biomassa, que colabora para a sutil elevação do teor de umidade e o enriquecimento do solo. Esses fatores estimulam o surgimento dos cactos, que atuam como verdadeiras barreiras contra o vento e o acesso de animais de maior porte no interior da ilha, gerando situação favorável ao desenvolvimento da vegetação arbustiva e arbórea.

IAB: Outro projeto apresentado nas Sessões Técnicas ABAP/IAB foi o do Portal da Amazônia. Você pode falar um pouco sobre esse trabalho?

EB: Esse foi um projeto para a Prefeitura de Belém, inaugurado no ano passado. Ele contou com o olhar do secretário de Cultura do Estado, Paulo Chaves, um grande arquiteto paraense e mentor das grandes obras culturais do Pará. O Portal é um projeto grande, que vai costurar toda a cidade até a Universidade, que fica um pouco afastada do Centro. A ideia do projeto é que, além de ser uma pista, seja também um grande calçadão, com quadras de esporte, bares, restaurante, e sirva como um local de encontro.
Fonte: IAB

0 Comentários

Envie uma Resposta

Entre em contato

Não estamos disponíveis no momento. Mas você pode nos enviar um e-mail e nós reponderemos, o mais cedo possível.

Enviando
ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?