Vitalidade e segurança urbana são tema de palestra no IAB-RS

renato_saboya_iabrsO Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB RS) recebeu o arquiteto Renato Saboya na Quarta do IAB ao vivo, realizada no dia 19 de novembro. O pesquisador palestrou sobre os “Efeitos da Arquitetura: influência dos tipos arquitetônicos sobre a vitalidade e a segurança urbana”.

Saboya explicou que juntou três pesquisas que lidam com os elementos da vitalidade e segurança urbana. “Se a gente não entender a cidade de uma maneira metódica, estamos sujeitos a tirar conclusões erradas. Temos que analisar diversos aspectos ao mesmo tempo”, justificou.

Para ele, as edificações podem ser entendidas como “alimentadoras” dos espaços públicos: quanto mais gente mora em uma determinada área, mais gente tende a sair e chegar em casa todos os dias para ir e voltar do trabalho, da escola e das compras e demais atividades diárias, o que por si só representaria um primeiro esboço de vitalidade urbana. De acordo com o arquiteto, para que os espaços tenham vitalidade as pessoas precisam se sentir seguras. “Por outro lado a vitalidade também é um componente da segurança. São dois conceitos ligados que se influenciam mutuamente”, destacou.

Para Saboya, as edificações e os espaços privados, seus afastamentos e a quantidade de aberturas nas fachadas dos edifícios também geram impactos no espaço público, podendo interferir na apropriação do local e na sua vitalidade através das conexões visuais, que são elementos que possibilitam aos usuários das edificações um maior contato visual com o espaço pública. Ele informou que existem vários estudos que defendem que as conexões visuais, como as portas e janelas, ao se comunicarem com a rua podem controlar situações de perigo e comportamentos de usuários, através dos eixos de visibilidade existentes.

“A presença da vigilância natural através das conexões visuais das edificações destaca-se na segurança das edificações e dos espaços públicos como um fator que pode favorecer a redução dos crimes. Locais aparentemente mais seguros também incentivariam seu uso, o que por sua vez reforça a vigilância natural, em um círculo virtuoso”, observou Saboya.

Ele também falou sobre os condomínios fechados. Para Saboya, outra discussão que deve ser realizada à luz dessas constatações diz respeito aos condomínios fechados, cuja principal justificativa é justamente a necessidade de segurança. “Até que ponto é desejável, ou justo, que a suposta segurança procurada pelos moradores desse tipo de assentamento seja alcançada às custas de maior insegurança nos espaços do entorno, que via de regra ficam sujeitos a longos e cegos muros divisores?”, questionou.

“Os edifícios de uma rua preparada para receber estranhos e garantir a segurança tanto deles quanto dos moradores devem estar voltados para a rua”, complementou

Para ele, a hipótese de que a maior conexão visual das edificações com a área pública inibe a ocorrência de crimes; e que locais com baixo potencial de movimento, baixa visibilidade e conexão visual limitada a outros espaços são alvos dos criminosos.

“Cada vez temos mais edifícios cegos, separados do lote, e com muitos muros. A tipologia arquitetônica precisa ser pensada de maneira mais refinada pelos Planos Diretores. Precisamos refinar mais esses debates, e se tivermos mais evidências empíricas a gente pode ter mais argumentações”, concluiu.

Fonte: IAB-RS

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